Ambientes transparentes revelam um conceito da arquitetura de vanguarda. "O imaterialismo, ou seja, o espaço é quase contínuo de ponta a ponta, por exemplo, hoje estão estudando muito a coluna de acrílico, de plástico", explica Ruy Othake, arquiteto. Arranha-céus com amortecedores à prova de terremotos são a versão "high tech" da luta do país para domar a natureza... Arrasadora e inspiradora.
Há séculos, o Japão descobriu na madeira um alicerce. As colunas suspensas protegem dos alagamentos. A estrutura de encaixes, sem pregos, funciona como uma mola. "A estrutura é concebida para ser flexível e conseguir suportar os abalos que ocorrem", diz Eduardo Nakashima, arquiteto.
Réplica do palácio de Kutsara, em Kyoto, o Pavilhão Japonês de São Paulo traduz a influência da arquitetura tradicional japonesa no Brasil.
Estilo e sabedoria milenares que muitos brasileiros e imigrantes como seu Hiragami trazem para dentro de casa. "No verão, o tatame deixa o ambiente fresco e no inverno, esquenta. O ambiente da casa fica o ano inteiro na mesma temperatura. Hoje a tecnologia esquenta e esfria tudo com máquina, mas antigamente não existia isso, então, o pessoal pensava”, diz Fumio Hiragami, produtor rural.
Outra marca é a versatilidade, ambientes multiplicados por divisórias e portas de correr. Concepção que um arquiteto pôs em prática ao projetar a casa. Sapatos ficam do lado de fora. "Na hora que entra em casa, está entrando em outro mundo, então, daí, este ato de tirar o sapato. Também por uma questão de praticidade, de viver no chão, no tatami uma questão de higiene também”, fala Ricardo Miura, arquiteto.
Admiradora de materiais naturais, como palha, fibra, papel e bambu. “As casas japonesas têm as portas mais baixas porque as pessoas se abaixam pra entrar, num ato de humildade, uma coisa mais simples, eu acho que o ambiente japonês lembra isso", fala Valéria Nakano, advogada.
Do telhado que dá vazão à chuva forte, às varandas que ventilam o ambiente, ligar a casa à natureza é essencial para os japoneses. Essa preocupação deu uma dimensão especial à arte do paisagismo. Como a arquitetura, o jardim japonês tem raízes na China, mas adquiriu uma estética própria. A harmonia brota de linhas assimétricas. Um jogo de proporções e contrastes garante o equilíbrio e convida à contemplação.
Imaginação e espiritualidade. No jardim zen budista, as pedras representam quedas d´água. A areia, o mar e suas ondas. Na versão mais conhecida dos jardins, pedras sugerem caminhos ao visitante. A lanterna de pedra simboliza a tradição. O bambu, flexibilidade. E a ponte, amadurecimento. A água é o curso da vida.
"No Japão eles dizem que jardim tem o significado de boas vindas às pessoas que chegam à sua casa, e eu creio que este jardim também retrata isso da gente acolher as pessoas também com esse carinho", Rumiko Okada, dona de casa. Dentro e fora da casa japonesa não há excessos. O luxo é raro. Mas a beleza está sempre ali, pronta para ser sutilmente descoberta por quem sabe apreciar o detalhe. "Várias manifestações culturais, da poesia até a arquitetura existe essa coisa da singeleza. Talvez isso faça parte do espírito japonês de ter uma simplicidade elegante, eu acho que é isso. Uma serenidade”.
Fonte: Jornal da Globo