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Samurais
A
disciplina, lealdade e a mestria nas artes marciais destacam-se como
suas principais qualidades. Por muito tempo este guerreiro japonês
representou o homem perfeito. “Assim como a flor de cerejeira
é a flor por excelência, da mesma forma o samurai é,
entre os homens, o homem por excelência”.
Os samurais surgiram durante um período da história
do Japão, onde o imperador disputava o poder com os proprietários
de terras e estes, por sua vez, lidavam com os altos impostos e as
invasões dos clãs rivais. Para conter esse caos, os
daimyôs (senhores feudais) começaram a montar o seu exército
pessoal.
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Estes guerreiros, além de excelentes cavaleiros, dominavam a arte
da katana (espada japonesa) e do kyudo (arco e flecha). Eram homens leais,
resistentes, disciplinados, dignos, e não temiam a morte. Uma das
mais importantes questões éticas abordadas no bushido (código
de conduta do samurai) dizia que o samurai não deveria temer a morte,
mas sim encará-la como uma forma de renascimento. Jamais, em toda
a história, fora registrado um código de ética tão
exigente como o bushido.
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A
partir do século XIV os samurais passaram a se dedicar também
a atividades culturais. Muitos inspiravam-se em um antigo ditado que
dizia: “Bunburyodo” (literatura e arte marcial em sintonia).
O samurai Taira Tadanori, presente no Heike monogatari (o conto de
Heike) foi um dos que seguiu esse mandamento e ficou famoso também
pelo seu talento com as palavras.
Durante
o período Sengoku (também chamado de a era dos estados
em guerra) os samurais viveram o auge de sua existência através
das espadas de Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu,
os principais responsáveis pela reunificação
do Japão. Nessa época o Japão tinha 260 daimyôs,
cada um lutando pela sua participação no comando da
nação. |
Nobunaga ficou famoso na batalha de Okehazama aos 26 anos quando liderou
3 mil samurais e derrotou 30 mil homens do clã Imagawa. Foi ele também
o primeiro general a dominar as armas de fogo ocidentais. Quando já
dominava toda a região central do país, foi assassinado em
1582 por um de seus principais oficiais, o general Akechi Mitsuhide.
Logo em seguida, Toyotomi Hideyoshi assumiu o comando
matando Mitsuhide e continuou a unificar o Japão. Além de
restringir o porte de espadas somente aos samurais, Hideyoshi criou salários
e transferiu-os todos para a circunvizinhança dos castelos. Em 1597,
quando já dominava quase todo o território japonês,
doente, deixou o controle nas mãos de 5 conselheiros. O desentendimento
entre eles foi inevitável, o que deu origem a batalha de Sekihagara
em 1600. Tokugawa venceu e em 1603 recebeu o título de xogum do imperador.
Começou aí o fim dos samurais.
Instaurada a ordem, Ieyasu transferiu a capital para Edo (atual Tóquio)
e isolou o país do resto do mundo. Gradualmente os samurais foram
se deslocando para outras áreas como contabilidade, política
e artes. Nessa época surgiram o teatro kabuki, o teatro de bonecos
bunraku e a pintura ukiyoe.
Em 1869 o imperador Meiji, com o intuito de modernizar o Japão,
contratou a assessoria militar francesa para reformar as forças armadas.
Além de proibir o porte de espadas, o imperador também cortou
o salário dos samurais. De repente 2 milhões de pessoas viram-se
obrigados a encontrar uma outra atividade.
Entre os muitos insatisfeitos estava Takamori Saigo, do feudo de Satsuma
e conselheiro do imperador Meiji. Após a sua proposta de invadir
a Coréia ser indeferida, voltou para a sua terra natal e organizou
um exército com 25 mil guerreiros. Em 1877 se rebelou contra o governo.
Os conflitos duraram 8 meses e Takamori, já baleado no estômago,
cometeu o seppuku. Em 1889 o imperador absolveu postumamente o último
samurai.
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