Surgimento do Japão Moderno
O Japão moderno emergiu como potência imperial que rivalizava com os Estados unidos pela influência na esfera do Pacífico. Depois da Segunda Guerra Mundial e da catástrofe nuclear, ressurgiu como potência econômica e componente do sistema do poder norte-americano no Extremo Oriente. Que fatores explicam essa rápida recuperação? Em menos de três décadas, o país emergiu dos destroços da guerra para o segundo posto da economia mundial.
O chamado "Milagre Japonês" baseou-se na capacidade das empresas do arquipélago de atuar no mercado mundial. O crescimento econômico do país perdeu impulso desde a década de 1990. Contudo, os investimentos externos japoneses contribuiram para a arrancada industrial dos Tigres Asiáticos, configurando uma rede de economias interdependentes na região Ásia/Pacífico.
Metamorfoses
O Japão moderno surgiu, duas vezes, de traumas nacionais provocados por conflitos com os EUA. A primeira vez, no século XIX, resultou na formação de um Estado imperial, expansionista e militarista. A segunda vez, em meados do século XX resultou na formação de um Estado burocrático, que promoveu o crescimento econômico do país e os interesses de seus conglomerados industriais na arena internacional.
A modernização original do Japão foi uma reação ao expansionismo dos Estado Unidos no Pacífico. Em meados do século XIX, os EUA começavam a extender sua influência para a Ásia oriental. Eles buscavam pontos estratégicos nos oceanos Pacífico e Atlântico, e o Japão já havia se tornado um país muito importante. Entretanto, a elite dirigente japonesa já tinha definido seus próprios interesses, que se chocavam com os dos estrangeiros. Nesse contexto, em 1853, o comodoro estadunidense Mattheis Perry forçou a abertura do comércio japonês bombardeando os portos do país. A ação dos "navios negros" de Perry, como ficaram conhecidos, deflagou uma crise terminal no sistema político japonês.
Na época o Estado japonês não tinha um poder centralizado. O imperador, estabelecido na cidade de Kyoto (ou Quioto), desempenhava um papale quase decorativo. O governo estava de fato em Edo (atual Tóquio), que era a sede do xogum (o comandante das forças armadas). O poder era exercido pelos "senhores da guerra", chefes militares regionais que mantinham os camponeses sob servidão. o bombardeio dos portos evidenciou a fraqueza do Estado japonês para enfrentar ameaças externas e desmoralizou internamente o xogum.
O colapso do sistema do xogunato abriu caminho para a centralização do poder. A passagem do poder ao imperador, completada em 1868, ficou conhecida como restauração Meiji. O governo imperial transferiu-se para Edo, que foi rebatizada para Toukyou (Tóquio = "a Capital do Leste"). O novo regime político assentou-se na fusão entre o absolutismo moderno e a antiga religião xintoísta. O Estado xinto identificou a nação ao imperador, e o nacionalismo japonês organizou-se em torno das noções de honra e guerra.
O Japão Meiji suprimiu os privilégios dos samurais, a classe militar dos guerreiros que, no xogunato tinham o direito exclusivo de portar espadas e recebiam remuneração do estado. Os "senhores da guerra" perderam seu poder, estabeleceram-se forças armadas nacionais e estimulou-se a industrialização acelerada. A servidão camponesa foi abolida. No final do século XIX, o Japão tornava-se a maior potência econômica e militar do Oriente.
O poderio econômico do país baseava-se nos gastos do Estado para a modernização das forças armadas e na concentração de capital nos zaibatsu, empresas que controlavam indústrias e bancos. Os grupos Mitsui, Mitsubishi, Sumitomo e Yasuda figuravam como os maiores zaibatsu, que eram grupos com origem nos antigos e poderosos clãs. Atuando em praticamente todos os setores industriais, além do comércio e das finanças, foram incorporando indústrias menores, incluindo as fábricas construídas pelo Estado, e se transformaram em grandes conglomerados.
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