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Tóquio luta para equilibrar modernidade e tradição


     A circulação de pessoas por Tóquio é eficiente, e olha que estamos falando de oito milhões e meio de pessoas por dia. Já imaginou? Mais da metade da população de São Paulo sendo transportada sem problemas? O metrô de Tóquio tem 285 estações e mais de 300 quilômetros de linhas. Até o final de 2010, São Paulo terá 62 estações distribuídas por 62 quilômetros. Mas uma coisa as duas cidades têm em comum: na hora do rush, todo mundo sofre.

     “Os trens são lotados, e todos levam muito tempo para chegar de um lugar a outro. Um trajeto médio dura 70 minutos, um verdadeiro inferno”, calcula o arquiteto Masami.

     No Brasil, os paulistanos conhecem bem o problema dos transportes. Tóquio, por outro lado, tem metade da frota da nossa maior cidade, e os brasileiros que moram lá sentem bem a diferença.

     “Você não vê aquela barulheira de carro. Em Tóquio, não tem aquele lance da buzina, já é bom. Não vê pessoas gritando, falando alto”, conta o músico Nego Fortunatto, que nasceu no Amapá, já morou em vários lugares pelo mundo, mas há três anos está instalado em Tóquio e feliz – apesar dos contrastes com a nossa cultura. “Aqui quando você consegue incomodar, você tem aquele lance de se tocar e de falar: ‘Eu estou incomodando, eu estou falando alto’. Aqui a gente não fala alto. É tranquilo e sempre respeitando o espaço do outro”, acrescenta o músico.

     “As pessoas passam tempo demais no transporte, muita gente usa o telefone para surfar na internet. Como hoje no Japão os jovens quase já não compram livros, os autores tiveram de se adaptar. E assim surgiu essa moda de publicar e ler romances pelo celular”, diz o escritor Keipu Endo.

     Seus personagens são bastante urbanos, tirados da ruas de Tóquio, da vida alternativa da cidade. “Eu diria que Tóquio é meu assunto principal – e tento passar um pouco da vibração dessa cidade, afinal, uma das coisas que eu mais gosto daqui é essa mistura de culturas”.

     Nego Furtunatto também dá sua contribuição para esse caldeirão cultural: “Eles gostam de samba, tudo que tem a ver com música brasileira, eles gostam. A música brasileira é número um no mundo todo”. O brasileiro mora em um subúrbio distante do Centro.

     Em um fenômeno típico das megacidades, Tóquio cresceu engolindo outras regiões. “Quem quer mais espaço vai para longe do Centro. Conforme as pessoas se estabelecem vão criando suas famílias e indo para o subúrbio em busca de casas maiores. Depois, os jovens quando saem de casa voltam para o Centro, esse é o ciclo da vida”, diz o arquiteto Masami Kobayashi.

     São jovens como Kengo que revitalizam a cidade, depois claro de driblarem a solidão em um lugar tão imenso. “No começo, eu não conhecia ninguém, tudo era mais difícil. Eu me sentia triste e é triste ficar sozinho. Mas aos poucos você vai fazendo amigos e vai gostando de viver mais em Tóquio”, fala Kengo.

     Assim como Kengo, milhões de jovens que circulam por lá aprendem a se divertir na megacidade. Isso é fácil ver em Harajuku, o bairro da moda, onde todo mundo vai para ser visto e se expressar livremente. Como uma válvula de escape numa cidade onde tudo talvez é organizado demais, o que não significa que as coisas não possam mudar.

     “Acho que minha geração já pensa em relaxar um pouco mais. Ironicamente, talvez a gente queira sim resgatar um pouco do passado que a própria cidade apagou quando as coisas eram mais calmas. Não queremos mais crescer como numa bolha gigante. Acho que estamos aprendendo a viver melhor”, avalia o arquiteto Masami Kobayashi. topo

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Fonte:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1585429-15605,00-TOQUIO+ LUTA+PARA+EQUILIBRAR+MODERNIDADE+E+TRADICAO.html com pequenas adaptações

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