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Tóquio luta para equilibrar modernidade e tradição


A maior cidade do mundo é também o melhor exemplo de urbanização planejada.

     Sabe quantas pessoas vão viver em Tóquio em 2025? Nas estimativas mais conservadoras, meros 37 milhões de pessoas – sete vezes a população da Dinamarca, mais de três vezes o número de habitantes da Bélgica ou de Portugal, o dobro de pessoas vivendo no Chile e quase toda a população do Canadá. Tudo isso em uma cidade só, que luta para equilibrar modernidade e tradição.

     Quer um bom exemplo de como a megacidade é constantemente redesenhada? O Kabuki-za, construído no final do século 19, é um dos espaços mais respeitados em Tóquio para essa forma de expressão tradicional japonesa que é o teatro kabuki. É bonito, mas até o meio do ano ele vai ser totalmente demolido. Em seu lugar, vai ser construído um prédio bem moderno – com quatro teatros, é verdade, mas modernos.

     Não é à toa que vários filmes de ficção científica já vieram buscar inspiração nas ruas movimentadas de Tóquio. As calçadas estão sempre lotadas de gente e quanto mais olhar para cima, maior a desorientação por causa de tantas luzes, anúncios, letreiros e outdoors.

     Em Tóquio, nós encontramos um bairro que luta para andar exatamente na direção contrária: Shimokitazawa. Parece até um vilarejo japonês: as ruas são pequenas. A maioria das construções são antigas e os comerciantes estão por lá há décadas. Os trens que cortam o bairro são as únicas presenças mais urbanas, mas nada que perturbe o ritmo tranquilo de Shimokitazawa.

     “Nós gostamos dessas vizinhanças aconchegantes. Brincamos que Tóquio é como uma pizza de salame. Os bairros mais charmosos estão espalhados, e não concentrados num só lugar como em outras cidades do mundo”, conta o arquiteto Masami Kobayashi.

     Só que assim como o teatro kabuki, a atmosfera de Shimokitazawa está com os dias contados. Um projeto do governo prevê uma reformulação completa desse bairro, com a construção de uma estação gigante de trens, além de vários prédios altos ao seu redor. “É um projeto horrível, de mais de 60 anos. Ninguém sabe por que ele foi desenterrado, e isso acabaria com todo o aconchego dessa região. O que Tóquio precisa é criar saídas para o desenvolvimento da cidade que não prejudiquem a qualidade de vida das pessoas”, explica Masami.

     Como um dos arquitetos mais influentes do Japão, Kobayashi vai tentar reverter, pelo menos, parte do projeto de "modernização" de Shimokitizawa. Os artistas que moram por lá agradecem.

     Kengo tem 23 anos e mora em Tóquio desde 2006. Só que ele veio de uma província pequena chamada Shiga. Por que ele resolveu morar em uma cidade tão grande? “Minha cidade natal é muito pequena, especialmente para quem tem uma ambição artística como eu tenho. Estudei numa escola de música em Osaka e depois vim para cá, onde a carreira tem mais chances de acontecer”, conta Kengo.

     Kengo trabalha como garçom durante o dia e uma vez por mês faz shows em uma casa noturna em Roppongi, outro bairro boêmio de Tóquio. O sonho de estourar como cantor ainda é só um sonho. Quatro anos depois de ter trocado a tranquilidade de Shiga pela loucura de Tóquio, ele já circula com relativa facilidade pela cidade. topo

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